Nos últimos tempos, cada vez mais grandes empresas, também aqui nos Países Baixos, pedem aos colaboradores que regressem ao escritório com mais regularidade. Essa decisão está a gerar muito debate, sobretudo no mundo dos recursos humanos e do imobiliário. A conversa centra-se muitas vezes no número de dias que as pessoas devem passar no escritório.

Mas isso falha o essencial. Não se trata de estar presente, mas daquilo que essa presença realmente traz.

Em vez de nos centrarmos na visibilidade, a verdadeira pergunta deveria ser: o escritório contribui para uma melhor colaboração, para mais inovação (e mais rápida) e para melhores resultados? Agora que o trabalho híbrido é a norma, precisamos de repensar o papel do escritório. Não como um instrumento para vigiar as pessoas, mas como um espaço com um propósito claro. Um lugar para reforçar a cultura, aproximar colegas e facilitar a colaboração.

O foco está no controlo ou no impacto?

Estar no escritório só tem valor se estiver ligado a uma ideia clara de como queremos trabalhar em conjunto. Uma política de regresso ao escritório revela muito sobre a forma como uma organização se vê a si própria. O objetivo é gerir as pessoas ou dar-lhes autonomia? Se só gerir pela presença, arrisca-se a perder a oportunidade de moldar ativamente a sua cultura e a forma como as pessoas trabalham juntas. O escritório não deve ser o sítio onde as pessoas vão para serem vistas. Deve ser o sítio onde as pessoas se juntam para construir algo com significado.

O papel das redes informais

As organizações não funcionam apenas com organogramas. O que realmente faz avançar as coisas são as redes informais: quem fala com quem, quem partilha ideias, quem se ajuda mutuamente. É aí que o verdadeiro trabalho acontece. O trabalho híbrido não destrói estas redes. O que as destrói é ignorá-las. Por isso, em vez de perguntar com que frequência alguém está no escritório, pergunte: o que acontece no escritório, quem se liga a quem e como estamos a apoiar isso?

Repensar a forma como usamos o espaço de escritório

Isso implica também repensar a forma como abordamos o imobiliário. E se deixássemos de ver os escritórios como filas de secretárias e os desenhássemos para apoiar verdadeiramente a ligação e a colaboração? Através dos tipos de mobiliário, da sua disposição, do zonamento e de uma programação ativa. Um desenho espacial inteligente, com zonas que incentivam conversas espontâneas ou facilitam as reuniões híbridas, pode fazer uma verdadeira diferença. Sobretudo em organizações com muitos departamentos diferentes ou silos.

Nesta perspetiva, o imobiliário torna-se um instrumento e não um objetivo. O verdadeiro desafio é redesenhar a própria colaboração. O trabalho híbrido exige escolhas deliberadas: quando, como e com quem trabalhamos? Essas decisões devem basear-se no negócio, na cultura, no comportamento e em dados reais. Não na intuição nem em regras impostas de cima.

Deixe que os dados orientem as suas escolhas

Com os dados certos, por exemplo, conhecimento sobre a utilização do espaço ou ferramentas como a análise de redes organizacionais, pode identificar onde a colaboração é forte, onde está bloqueada e onde são necessárias novas ligações. Esse conhecimento deve orientar a forma como moldamos os nossos ambientes de trabalho. E não o contrário.

Por isso, não, o debate sobre o escritório não é inútil. Mas muitas vezes passa ao lado das questões mais profundas.

Não se deve tratar de fazer as pessoas voltar ao escritório. Deve tratar-se de como usamos o espaço, o tempo e o conhecimento para reforçar as redes sociais e, com elas, a força das nossas organizações. Não se trata de estar presente. Trata-se do que essa presença torna possível.

O escritório não é o propósito. Só tem valor quando serve um.