O trabalho híbrido foi amplamente adotado em todo o mundo e muitos comentadores, como nós, concordam que não há volta atrás. Isto é sustentado por provas como o mais recente inquérito do Bureau of Labor Statistics (BLS) nos EUA. Dito de outra forma, segundo o relatório Monster 2023 Work Watch , 26% dos trabalhadores preferiam fazer uma desvitalização dentária a trabalhar no escritório cinco dias por semana.

O trabalho híbrido foi também reconhecido como tendo potencial para trazer benefícios de produtividade, e há muitas provas empíricas informais e inquéritos que o sustentam. Mas foi o primeiro ensaio aleatorizado e controlado, um verdadeiro ponto de viragem, realizado na Trip.com e dirigido pelo professor de Stanford Nicholas Bloom , que deu muita credibilidade ao argumento.

O problema é que continua a haver empresas a impor ordens gerais e a promover assim aquilo a que chamamos Presentismo 2.0, alimentado por uma persistente falta de confiança no que acontece no trabalho a partir de casa. Algumas empresas passaram de 4 dias em casa para 4 dias no escritório, com variações intermédias. Para alguns, a ordem pode implicar tempo desnecessário e improdutivo no escritório, gerando desinteresse e aumentando a rotatividade. No mesmo inquérito da Monster , 26% afirmaram que, se fossem obrigados a trabalhar presencialmente apenas um dia por semana, ponderariam despedir-se.

O problema é que as soluções híbridas exigem cuidado e atenção aos perfis individuais dos colaboradores para terem êxito e para que esses benefícios de produtividade se concretizem. Uma abordagem igual para todos simplesmente não serve.

Numa leitura simplificada, podemos identificar perfis de colaboradores cujas atividades vão desde tarefas muito delimitadas e estáticas, com pouca ou nenhuma colaboração, até tarefas variadas, com elevados níveis de criatividade e colaboração, que exigem interagir presencialmente com outras pessoas no ambiente de trabalho certo. Há, claro, muitas variações intermédias. Ainda nem começámos a considerar os padrões de mobilidade, a psicometria ou o alinhamento entre a pessoa e a cultura real ou percecionada da organização. Junte-se a isto outros aspetos, como as diferenças entre gerações, as responsabilidades de cuidado, as atitudes perante o ESG, sobretudo a deslocação diária, e percebe-se a dimensão e a complexidade do problema.

O que queremos dizer é que, para o trabalho híbrido ter êxito e equilibrar os requisitos da liderança e dos colaboradores, é necessária uma análise de dados aprofundada da cultura da organização, das atividades de trabalho realizadas por cada pessoa, dos padrões de conectividade, das personalidades, da psicometria e das preferências, para desenhar uma estratégia de local de trabalho híbrido bem-sucedida.

No passado, isto exigiria muitas horas de conceção e recolha de dados, vários consultores e custos significativos. Hoje, com a aplicação da proptech e a criação de uma lógica unificada, pode fazer-se de forma rápida e simples.

Os dados podem então mostrar como alcançar o alinhamento certo de cada colaborador e ajudar a formular soluções que, entre outras coisas:

  • identifiquem o número ideal de dias no escritório, em casa e em terceiros espaços, para promover tanto a produtividade como a satisfação, que estão, naturalmente, interligadas;
  • reduzam o CO2 resultante de deslocações desnecessárias;
  • reduzam as tensões entre a cultura real e percecionada da organização e as preferências dos colaboradores;
  • melhorem a eficiência da ocupação (e reduzam custos), reconhecendo quem precisa de estar no escritório e os dias da semana e horários preferidos, tendo em conta a psicometria e as preferências e compromissos de cada pessoa na definição dos horários

Até agora falámos apenas da complexidade daquilo a que na Workplaced chamamos o equilíbrio híbrido: o número otimizado de dias no escritório, em casa ou num terceiro espaço, como um espaço de cowork.

Ainda nem começámos a falar de como configurar o escritório e os ambientes de trabalho disponibilizados para gerir essas variações significativas entre colaboradores: o que fazem, como colaboram e como reagem e se sentem em diferentes ambientes de trabalho.

Falaremos disso em próximos artigos.