Partindo de uma releitura do manual de referência adotado em todo o mundo, de que o nosso cofundador Nick Nunnington é coautor1, baseámos grande parte do nosso pensamento na Workplaced no conceito de alinhamento otimizado entre pessoas e espaço, com os processos, o paradigma e o planeta, para gerar desempenho e produtividade.

Mas o que significa isto?

Acreditamos, e temos provas substanciais que sustentam o argumento, que o desempenho e a produtividade se libertam quando os colaboradores (pessoas) estão pessoalmente alinhados com o local onde trabalham (espaço), de forma a apoiar o que fazem (processos), no contexto do paradigma da sua organização (cultura) e das suas políticas ambientais, sociais e de governação (ESG) (planeta).

Quando este alinhamento é alcançado, os números falam por si. Apresentamos aqui algumas das provas e dos estudos de caso que sustentam a nossa posição.

Desempenho e produtividade: qual é a diferença?

Em primeiro lugar, convém distinguir o que entendemos por desempenho e por produtividade. Desempenho é o nosso termo para os KPI mais tangíveis (e mensuráveis) que se podem aplicar ao local de trabalho, como as taxas de ocupação, o espaço ou o custo por colaborador, as taxas de rotatividade de pessoal e a satisfação e o desempenho individuais.

A produtividade, embora seja frequentemente apontada como o «santo graal» da estratégia de local de trabalho, é um conceito mais coletivo, mais esquivo e mais difícil de medir. A produtividade mede resultados (outputs) face a recursos (inputs). É vista como muito relevante porque, recorrendo a um estudo de caso simples, originalmente da Harvard Business Review e usado no mesmo manual [ibid], o impacto de melhorar a produtividade é bastante superior ao da redução de custos. Neste estudo de caso simplificado, uma redução de 10% nos custos imobiliários gera uma melhoria de 9% na rentabilidade. Contudo, se um aumento de 10% da produtividade (resultado) for combinado com uma redução de custos de 10% (recurso), o resultado é um enorme aumento de 59% na rentabilidade.

Está demonstrado que as intervenções no local de trabalho melhoram a produtividade, mas são muitas vezes medidas de forma isolada, para aspetos específicos da oferta de espaço de trabalho. Alguns exemplos:

  • Um estudo de 2003 num centro de atendimento telefónico na Califórnia2 concluiu que a luz natural e as vistas podiam melhorar o desempenho nas chamadas entre 6 e 12 por cento.
  • Um estudo relacionado com trabalhadores de escritório da HMG registou melhorias de 10 a 25 por cento em testes de função mental e de memória.
  • A Steelcase3 concluiu que níveis elevados de envolvimento estão associados à possibilidade de escolher o ambiente de trabalho, o que foi confirmado por um estudo da Leesman4 que identificou a falta de escolha em ambientes ABW, para quem tem tarefas muito variadas, como um entrave à produtividade percecionada.
  • A Steelcase concluiu também que o ruído e as distrações durante uma tarefa que exige concentração levam, em média, 23 minutos até se recuperar o mesmo fluxo cognitivo e provocam uma redução de até 15 pontos de QI nos homens e de 5 nas mulheres.
  • O British Council for Offices5 concluiu em testes empíricos que a qualidade do ar, em particular os níveis de CO2 e a temperatura, afetava o desempenho cognitivo: por exemplo, os resultados dos testes desciam de 84 a 94, com boa qualidade do ar, para 65 a 85 quando o CO2 ultrapassava 1000 ppm.

Voltando à redução de custos, conseguir uma redução de 10% nos custos imobiliários deverá ser relativamente fácil quando a ocupação dos escritórios ronda, a nível mundial, os 40-50%, consoante o estudo e a região do mundo em causa. Com o HSBC como exemplo mediático, que saiu de Canary Wharf para 50% menos espaço, uma redução de custos de 10% deverá ser alcançável, mesmo com a tendência para mudar para espaços melhores, mais caros e com mais serviços, para atrair as pessoas de volta ao escritório. Menos espaço significa não só menos renda, encargos de condomínio e impostos sobre o imóvel, mas também menos custos de aquecimento, arrefecimento, limpeza e outros serviços e, claro, menos emissões de CO2.

Com a consolidação de escritórios, em mudanças como a da CBRE em Tóquio, que o Nick tratou em pormenor no seu manual, o espaço foi reduzido em 18%, consolidando 5 edifícios num só, e ainda assim os lugares (postos de trabalho) passaram de 400 para 600, e a satisfação, a colaboração, o envolvimento e, em última análise, a produtividade dos colaboradores melhoraram.

O segredo está em usar qualquer estratégia de redução de custos ou de consolidação para olhar também para o quadro geral e analisar como um alinhamento entre pessoas e espaço, informado por dados centrados nas pessoas e pela compreensão do que fazem (processos), pode trazer tanto a redução de custos como melhorias na satisfação, no envolvimento, na retenção e na criatividade de cada colaborador e, por conseguinte, na produtividade coletiva.

Segundo a nossa leitura dos dados da CBRE6, os ganhos de eficiência no planeamento do espaço, impulsionados sobretudo pela adoção mais alargada do trabalho baseado em atividades, aumentaram as taxas de ocupação dos escritórios a nível mundial em cerca de 20% desde 2020, permitindo à maioria dos participantes no seu estudo de benchmarking reduzir a dimensão da carteira imobiliária em até 30%. Contudo, apesar destas reduções generalizadas da carteira e das taxas de ocupação mais elevadas, a CBRE refere que 64% do espaço de escritório a nível mundial continua subutilizado.

A Workplaced dispõe das ferramentas não só para identificar a subutilização, mas também para propor soluções que reduzam a dimensão da carteira, aumentando não só a eficiência, mas também a eficácia do espaço, através do alinhamento, assente em dados, entre o que as pessoas fazem, quando e onde, no tipo de espaço e no local adequados.

Voltando às métricas mais exigentes da produtividade: já em 1924, a famosa experiência de Hawthorne demonstrou que as melhorias mensuráveis de produtividade nem sempre são o que parecem. Em condições controladas, uma redução do tempo de montagem de componentes, com menos defeitos, foi associada a uma melhor iluminação. Mas, depois de retirada a iluminação melhorada, a produtividade manteve-se elevada, e mais tarde concluiu-se que os resultados se deviam tanto à resposta emocional dos trabalhadores, que se sentiram valorizados, como à melhoria técnica da iluminação.

No trabalho do conhecimento, medir a criatividade, a geração de ideias e a colaboração positiva é difícil e tem inevitavelmente dependido de medidas baseadas na perceção, como o índice Leesman, para indicar como os inquiridos avaliam a sua satisfação, desempenho e produtividade, muitas vezes após algum tipo de intervenção no imobiliário corporativo.

Envolvimento dos colaboradores

O envolvimento dos colaboradores é uma das áreas mais problemáticas da produtividade e tem-se mantido em níveis muito baixos há muitos anos, com o inquérito da Gallup7 nos EUA a indicar teimosamente níveis baixos de envolvimento ao longo de muitos anos. Por exemplo, em 2013, nos EUA, era de apenas 30%; em 2023 tinha subido apenas para 33% nos EUA, mas a média mundial era de uns desoladores 23%.

O envolvimento é complexo e depende de muitos fatores organizacionais, como a liderança, a cultura, a visão, as recompensas e o reconhecimento e, cada vez mais, as políticas ESG. Mas, no contexto do local de trabalho, centra-se normalmente no envolvimento cognitivo, seja no trabalho de concentração, seja na colaboração e na criatividade. Um estudo mundial da Gensler de 2013 concluiu que apenas um em cada quatro trabalhadores afirma trabalhar num ambiente de trabalho ideal, e mais de metade afirma ser interrompido por outros quando tenta concentrar-se. O impacto do ruído e de outras perturbações na concentração foi referido acima, mas também, num estudo realizado em África8, um aumento de 10 dB reduziu a produtividade em cerca de 5%; e, segundo um relatório de 2015 do World Green Building Council (WGBC), o ruído de fundo pode levar a uma quebra de até 66 por cento na produtividade.

O que é interessante no inquérito mais recente da Gensler9 é que «97% dos colaboradores mais envolvidos dizem que provavelmente continuarão na empresa no próximo ano, contra apenas 53% dos menos envolvidos». A Gensler refere também que os colaboradores com níveis elevados de envolvimento trabalham de forma diferente, sendo a maior diferença entre os mais e os menos envolvidos o tempo que passam a trabalhar sozinhos, a aprender e a conviver. Vemos aqui uma ligação direta entre o envolvimento, sustentado pela disponibilização do tipo certo de espaços de trabalho, com o mínimo de distrações e de ruído, e a retenção de pessoal.

Olhando para o quadro geral do envolvimento, para o qual, como indicado acima, o local de trabalho contribui de forma significativa, a meta-análise de 2023 da Gallup10 sobre o envolvimento dos colaboradores, abrangendo 112 312 unidades de negócio, indicou que as equipas plenamente envolvidas do quartil superior, em comparação com as menos envolvidas do quartil inferior, apresentavam: